O MELHOR HOSPITAL DE BRASÍLIA
Por Vellker *
Saiu de Brasília por esses dias, para tratamento em São Paulo, a ministra Dilma Roussef, que de forma semelhante a de Tancredo Neves, começa a seguir o mesmo caminho, sem termos idéia ainda do desfecho.
Mas claro que desfizeram-se os laudatórios boletins médicos, de juntas médicas sorridentes posando para a imprensa exatamente como no caso de Tancredo Neves, que mais lembravam tudo o que era dito na antiga União Soviética acerca da saúde dos seus secretários-gerais, líderes máximos do partido comunista do qual um dia a ministra Dilma foi uma das mais fiéis defensoras. Homens como Leonid Brezhnev que mal conseguiam ficar em pé ou dar uma entrevista para repórteres ocidentais, enquanto todos viam seu rosto inchado de tantos medicamentos eram descritos pelos representantes do partido como gozando de ótima saúde. Aquilo que viam era apenas o cansaço de um dia de trabalho.
O certo é que nos bastidores, os petistas vendo o claro cansaço da ministra, talvez também depois de um dia de trabalho como o de Leonid Brezhnev e o rosto visivelmente inchado de Dilma, se preocupam e muito com seu futuro político. No caso de Dilma não poder concorrer às eleições, uma hipótese que já não é tão desprezível, Lula, que desde o começo foi fazendo um claro trabalho de propaganda com a ministra aparecendo até mesmo em inaugurações de creches, fora as grandes obras do PAC, do qual foi apresentada como mãe, tem motivos para se preocupar.
Vendo o abatimento do governo, os oposicionistas conseguiram criar a CPI da Petrobrás, mas nem de longe os anima algum gesto de civilidade ou patriotismo. Como velhos aproveitadores de situações como essa, agora negociam com o governo a troca de favores para ocuparem a relatoria, darem pareceres favoráveis e fazerem um CPI de sairá de lugar algum para chegar a lugar nenhum. Ou se for interessante, que apresentará denúncias para bombardear mais ainda a candidatura de Dilma Roussef. Quanto a terem civilidade, serem bons políticos ou leais patriotas, nada disso existe. Existe apenas uma CPI para criar um fato que dê vantagem à já anunciada coligação de José Serra e Aécio Neves, ainda negociada.
Aécio Neves que foi o responsável pela emenda constitucional que permitiu às empresas de comunicação, de jornais a empresas de televisão terem até 30% de participação de capitais estrangeiros, o que era proibido desde os tempos do regime militar, será muito bem tratado por elas, com elogios sobre elogios. Afinal, em 2002, depois de terem investido pesado na privatização do sistema Telebrás, de onde queriam tirar mais lucros, as empresas de comunicação viram-se não só engolidas pelas empresas estrangeiras como ainda por cima ao fazerem dívidas em dólares no exterior, tiveram a surprêsa de verem o dólar disparar enquanto FHC ainda prometia, como candidato à reeleição, que ele não subiria. Traídas pelo desejo, pode-se dizer, de usar o Brasil como alavanca para seus lucros. Agora voltam a aplicar o primeiro mandamento dos manuais de redação da imprensa brasileira, que é o de agradar a quem está no poder. Como Lula ainda está, mas ao mesmo tempo está saindo, então esse mandamento já não vale muito.
E como a ministra Dilma Roussef, que havia feito todo um trabalho de relações públicas, que incluiu até mesmo uma cirurgia plástica para melhor aparecer nos palanques, já apresenta os primeiros e indisfarçáveis sinais de que tudo está tão bem quanto estava com Leonid Brezhnev, ficam os repórteres correndo do hospital até os bastidores da campanha política para depois levarem suas conclusões para seus chefes de redação.
Se além de tudo o que já acontece, Dilma vier a usar uma peruca por efeito da quimioterapia, Lula estará numa situação bem difícil. Sem outro nome petista para apresentar e sendo tarde demais para isso, verão a candidatura da oposição ficar mais forte, sem contar que o PAC, tão novo, coitado, corre o risco ficar órfão.
Pelo menos para alívio ou sabe-se lá, estratégia do comando petista da campanha de Dilma, ela foi para o hospital Sírio-Libanês. Evitaram a todo custo mandá-la para o Incor, onde esteve por um bom tempo o finado Tancredo Neves.
* O texto reflete a opinião do autor e não necessariamente a dos outros componentes do blog.
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