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EU NUNCA QUIS SER ENGENHEIRO

Eu era menino quando desmontei meu primeiro ventilador.

Queria ver como funcionava aquele aparelho, cheio de fios e peças. Consegui a façanha de desmontar um e remontar dois. Daí meus pais disseram que eu seria engenheiro quando crescesse.

Gostava também de desenhar, e até hoje rabisco algumas coisas. Então, acharam que o melhor para mim era estudar Arquitetura.

Li algumas coisas sobre Psicologia, e nesse momento me transformaram em aspirante à Psicólogo.

Ninguém havia pensado em Administração, apesar do meu pai ter, em sua juventude, iniciado no curso de Administração e depois parado para cuidar do seu primeiro filho (eu). Não sei como nunca pensaram nessa possibilidade.

No final da minha adolescência, meu pai tinha voltado atrás e martelava a idéia inicial da Engenharia. Queria que fizesse um concurso para a Aeronáutica, mas eu não queria ser militar. Eu nunca quis ser engenheiro, na verdade. Eu apenas tinha a curiosidade de saber como as coisas funcionavam.

Juntando a curiosidade de ver as engrenagens trabalhando juntas, a vontade de traçar linhas e curvas e dar forma às coisas e também a motivação para tentar entender como se deve lidar com as pessoas foi que eu me vi Administrador, mesmo sem nunca ter lido a respeito antes. Descobri que a Administração se encaixava mais adequadamente às minhas ambições profissionais e a partir daí entrei na faculdade. Após iniciar os estudos, fui cada vez mais me encantando com aquela ciência. Isso me dava forças para superar as diversas dificuldades que foram aparecendo. Aguentei firme e me formei Administrador, graças a Deus.

Senhores pais, vocês realmente sabem o que seus filhos querem ser na vida? Que tal perguntar para eles ao invés de impor aos mesmos o destino que os senhores traçaram? Experimentem deixar que eles escrevam torto sobre linhas certas, até que aprendam. Deixe que eles forgem sua própria armadura contra os males da vida. Deixem que eles andem meio que sem rumo, pois eles mesmos irão, mais dia menos dia, encontrar o caminho que mais lhe convêm. Dessa forma, se farão Administradores se realmente os forem; serão arquitetos se a habilidade de criar for verdadeiramente inata; serão engenheiros se tiverem paixão por isso; serão psicólogos se mergulharem de cabeça nos mistérios da mente humana. Serão o que quiserem ser de verdade, e não os que os outros queriam que eles fossem, por melhor que fosse a intenção. Assim, crescerão como pessoas e serão felizes como profissionais, por fazerem o que gostam, o que querem e o que sabem fazer.

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