TROCANDO O CLIENTE PELO BIG BROTHER
Mais uma que extraí da minha ronda pelo Recife.
Como relatei no post passado, estava dando uma volta pela cidade procurando por determinado produto. Achava que tinha chegado à loja onde finalmente iria adquirir o que queria, mas havia me enganado. O artigo era bom, o preço também, mas dois detalhes me desistimularam da compra.
O primeiro foi ridículo. Estava sendo atendido, ou pelo menos pensava que estava, quando a atendente aproveitou alguns segundos de pausa na venda para se virar para outra funcionária e perguntar:
“- Tu visse quem saiu do paredão ontem?”
O restante da conversa dela com a moça eu não memorizei, pois fixei atenção no comportamento daquela meliante. Não porque detesto o programa e o acho nada mais que um passatempo para quem não tem competência suficiente para gerir a própria vida e passa a se concentrar na de outros incompetentes pela tv, mas pela atitude da vendedora de me deixar ao relento, dando mais importância ao Big Brother que ao cliente. Tive que chamar a mulher duas vezes para ela se voltar para mim. O segundo motivo de eu não ter comprado com a atendente é que não existia nenhum outro exemplar do artigo, que estava empueirado e meio amarrotado. Depois do tratamento que recebi, só levaria se estivesse em ótimo estado.
Mais uma vez venho bater na mesma tecla: um local tradicionalmente comercial como o Recife não deveria ter tantas pessoas incapacitadas em suas lojas. Elas acabam sendo espelho da falta de treinamento e reciclagem de profissionais pela qual passa minha cidade. Quem chega no seu centro comercial acreditando que vai tratar com exímios vendedores se desponta e leva a impressão de que o lugar, mesmo cheio de aspectos modernos, está ainda muito aquém da qualidade encontrada em outros pólos comerciais do estado e outras regiões brasileiras.
É muito válido o que vem sendo feito pela Prefeitura do Recife e principalmente os esforços promovidos pela CDL-Recife (Câmara dos Dirigentes Lojistas do Recife), mas acredito que agora o foco deve ser direcionado para sanar essa carência existente no comércio local. Ao realizar capacitações, reciclagem de profissionais e a conscientização dos gestores dos estabelecimentos de que saber receber e encantar o cliente é importante fator para o sucesso dos negócios, consegue-se que o setor comercial, o principal da economia recifense, tenha uma visível melhora em seu faturamento, o que significa garantia de empregos ou o aumento dos mesmos, mais satisfação do cliente, ou seja, compras mais frequentes, e o retorno ao topo do podium dos melhores vendedores do Brasil.



